terça-feira, 31 de março de 2020

ESTAR EM CASA

                         ESTAR EM CASA    


Estar em casa nos permite um novo olhar para aquilo que nos cerca: podemos caprichar nas tarefas que haviam sido envenenadas pelo tédio; redescobrir objetos nas gavetas que têm histórias emocionantes pra contar e andavam meio abandonados; ou ainda nos largarmos naquela poltrona gostosa que namoramos para nossa sala, ler um livro, ouvir música, cozinhar, dormir, dançar...
Bem, como não há nenhum balcão recebendo reclamações de nossas solidões com toques de supostos abandonos, só nos resta transformá-las, se existirem. Uma boa ideia pode ser a conexão com a beleza de nosso refúgio, como faz a primavera com as novas flores coloridas surgindo nas árvores e na terra: ela não se abate com circunstâncias, apenas manifesta-se. A beleza pode estar em qualquer coisa que escolhermos, como uma intenção. Se desejarmos vê-la, ali ela estará, e isso vai depender de nossa criatividade para retirar os véus que a escondem, e que também pertencem a nossas memórias.
A nossa casa nos reflete, muitos já disseram, não é novidade. Espelha nossas procrastinações, manias, necessidades, desejos de conforto, e é essa a beleza: vermos a nós mesmos, nossos cantos preferidos, onde recarregamos as energias para novos enfrentamentos. E, se as necessidades mudam, talvez nossas arrumações também devam se modificar. Com ou sem música, pernas pra cima, lendo ou dançando, ficar em casa pode significar um reencontro com a intimidade de nossas criações, porque ao avaliarmos ou recolocarmos objetos e cantos, viramos uma chave para ressignificações. 
Estar em casa pode ser uma espécie de pausa necessária para revelarmos a nós mesmos em que pedaço do caminho existencial estamos, se há modificações urgentes a serem providenciadas, e nos prepararmos para descobrir os próximos passos. 

segunda-feira, 30 de março de 2020

Seguindo...

🌷Adeus, jaula criada pelo medo!
Adeus!
Descobri no meu cantinho, em silêncio;
Que cada momento é único;
Que traz com ele novidades;
Sempre!!!
Acabei de abrir os portais de uma linda estrada, Florida,
Colorida,
Viva!
Como eu...
Como você...
Como nós.
E lá em cima tem uma placa que diz:
"Gratidão".
Vou seguir por ela.
Vem comigo?
Rutty Steinberg

sexta-feira, 20 de março de 2020

Pensando...


PENSANDO


Sabe quando a gente começa a pensar em  alçar voos mais altos para conhecer novas paisagens dessa vida? Oscilamos entre “podes” e “não podes”, mas me parece que tudo acontece no tempo certo: a nossa luz ilumina revelações e nos dá ideias. E vai desvendando segredos que andavam  escondidos:  sobre nós mesmos e nossos talentos. A coragem nos inspira  e soltamos a voz:”Sejam bem-vindos, queridos fantasmas, saiam do armário!”. É que nossos corações desejam se abrir  para mudanças e transições, e lentamente vamos recuperando  a confiança no caminho da sabedoria, aprendendo a escolher  entre o bem e o mal.
Quanto aos novos planos, vale a pena sermos leais diante de nós mesmos, nos comprometendo com as escolhas que fazemos, mesmo que contenham  desafios, (o que não dá para evitar pois são inerentes à vida), fluindo sentimentos mais equilibrados. Formas renovadas de comunicação, talvez com mais espaço para a intuição, poderão se abrir na busca por nossas  superações. E vamos crer que a esperança, ao reaparecer, nos ensinará, em meio à instabilidade, que é possível  colhermos alegremente o que foi plantado, podarmos as tristezas das perdas, e irmos ao encontro da verdadeira conquista: a paz

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Desapegar

DESAPEGAR





Sabe quando novas informações pedem passagem, atropelando nosso jeito de ser, querendo entrar na nossa roda da vida  gritando “mudança à vista!”? Ao emparelharem com as antigas, podem ocorrer avaliações bem interessantes, dependendo da disponibilidade interna de cada um para lidar com as próprias  verdades.
Refiro-me àquela conversinha íntima sobre desapegar-se daquilo que já  deu o que tinha que dar, o que sabemos não ser nada fácil. Decidirmos o que vai fazer parte de nossas vidas agora, por ser realmente essencial;  excluirmos  o que, sem dó nem piedade,  não  permanecerá;  integrar objetos, atitudes, pensamentos, emoções, lembranças, relacionamentos, a lista é interminável... Ah! Isso  leva um certo tempo. É uma questão de consciência. Exige critérios que passam, inevitavelmente, por algo também muito íntimo que costumamos chamar de gratidão, e que quase sempre  anda de mãos dadas com os perdões.
Como precisamos dessa energia que libera, que deixa ir, para podermos  atravessar a ponte que leva à conquista de novos olhares.  Nessa transição criamos portais, modernizamos alternativas, e manifestamos o triângulo de novos  pensamentos,novas  vontades e novas ações. Tomamos decisões com os devidos riscos assumidos e vistos como impulsos para a evolução. Quem  sabe,  assim nasça um jeito de viver sem grandes raivas, mágoas, medos e culpas paralisantes, para que  talvez possamos  fluir nessa vida mais amorosamente, sem tantas reclamações e dominando melhor a tentação de se fixar lá atrás. Assim, as novas criações poderão  ser feitas com aquilo que se tem, o  que vamos combinar, não é pouca coisa, nunca!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

VÁ COM CALMA!


VÁ COM CALMA!



Como reagir quando sentimos que uma etapa em nossa vida se foi? Quando percebemos nova luz brilhando, sugerindo outra direção?  Vamos com calma, certo? A tranquilidade nas ações libera algumas ansiedades que ainda podem estar tumultuando nosso jardim, atrapalhando a colheita de tantas coisas legais que ali plantamos.
Que tal abrirmos mais um pouco, delicadamente, o coração? Sim,  para sentirmos e escolhermos o caminho da expansão! Nada de retrocessos, até porque sabemos que mesmo aquilo que parece antigo contém um novo olhar.
Talvez seja esse o momento de contato com aquele nosso lado ativo, que  andou meio tímido ultimamente. Muito deverá ser revelado, antes coberto pelas nuvens, pois o enfrentamento de dificuldades costuma levar à descoberta da força da intuição. Quem sabe nos comprometermos mais conscientemente  com riscos, já que segurança é algo muito relativo; abraçarmos alguns desafios antes impensáveis; e assumirmos aparar as arestas de nossas aventuras, trazendo à tona as lições importantes em cada uma delas.
Pois é, o espaço da gente pede equilíbrio de sentimentos, de pensamentos. Os mais puros, de preferência, são os que nos guiarão agora. E, não vamos nos iludir, isso exige esforço e atenção constantes. Mas é com a gratidão que vamos inspirar delicadeza nos voos altos que agora faremos, nos compromissos com aquilo que é novo, e na confiança de que o inesperado trará respostas incríveis.


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Gratidão

                                 GRATIDÃO

Gratidão é aquela alegria que faz a gente sorrir pra tudo e abraçar tarefas com olhares simpáticos, cúmplices. Hoje acordei assim: grata. Fiquei pensando na questão do prazer sem culpa, aquele que não faz cobranças, a manifestação do amor à vida, em qualquer forma que ela se apresente. Jamais poderemos saber exatamente como se deram nossas escolhas e todas as variáveis nelas envolvidas, mas se há prazer no que conseguimos perceber a cada momento, a gratidão deverá se mostrar, e o bem-estar não deixará dúvidas sobre a sua presença em nossos corações, dando a ela o nome e as causas que quisermos; conscientemente ou não, somos gratos e pronto.
Ao contrário, porém, entre culpas e tensões, a mesma gratidão nos oferece apenas um sorriso amarelo, falso e distante do coração, da boca pra fora. Se não nos sentimos merecedores de coisas boas, vamos agradecer o que?
Muitas vezes o que não suportamos é o peso das crenças equivocadas, que parecem dançarinas de baixa categoria ao nosso redor, convidando para o seu baile os que preferem não se aprofundar em reflexões, os que não gostam de mergulhar em si mesmos.  Nem todos pensam assim, mas para mim esse negócio de empurrar com a barriga e reclamar, enquanto devoramos pães e doces, só serve para disfarçar o próprio amargor e atravancar nosso caminho. Podemos aprender a amar aquilo que nos é apresentado pela vida; dar uma olhada mais focada nos nossos próprios pareceres, prestando atenção para não seguirmos propósitos alheios, sejam eles bem intencionados ou não.
Legal mesmo é finalizar de vez com essa mania que o passado tem de querer ser sempre o ator principal em nosso teatro existencial. É bem mais interessante descobrirmos algo novo em cada gesto simples do dia. Se formos por aí, tudo indica que a gratidão vai adorar fazer reparações. 

domingo, 8 de setembro de 2019

Mudar

                                  MUDAR

Não  poderia deixar de registrar aqui a mudança de país feita há poucos dias, sozinha, para encontrar filho e família. Esvaziar um apartamento, dando, vendendo, levando comigo coisas que estavam ali, simplesmente, obedecendo à rotina que já não se questionava mais, não foi brincadeira. E eis que o movimento se fez como um rápido furacão, mas de boa índole, se é que se pode falar assim.  As pessoas certas para cada objeto apareceram; amigos que divulgaram o "bazar" improvisado surgiram na hora certa, e tudo fluiu. Com a limitação da bagagem, a velha roupagem foi lançada para outras bandas, para outros proprietários. A nova pele precisaria nascer, e a decisão de mudança já estava ancorada, no corpo, na alma.
Fase por fase do projeto (incluindo a reta final, quando uma cama e objetos pessoais, com a colaboração da vizinha para a água gelada, o café e algo mais que eu precisasse), a casa esvaziou. Foi o tempo necessário para meu equilíbrio emocional se manifestar. Ainda havia a viagem propriamente dita.
Escrever sobre isso me faz lembrar de uma discussão num grupo de estudos psicanalíticos, há tempos atrás, onde se falava em "superego de exceção", quando agimos com uma nova liberdade, distante das restrições do dia a dia que criamos ao longo de nosso desenvolvimento. Pois é essa a definição mais próxima de como foi ter entrado nos aviões, conversado com gente desconhecida por horas, e ter chegado ao meu destino como se tivesse chamado um táxi para ir a outro bairro.
A mim encanta analisar emoções e jeitos de pensar, refletir sobre experiências. Para mim, significa aprender sobre nós mesmos, daquilo do que somos capazes quando nos permitimos expressar nossa força interior. Pois é, mudar é assim...quando nos damos conta, já mudamos.