sexta-feira, 20 de março de 2020

Pensando...


PENSANDO


Sabe quando a gente começa a pensar em  alçar voos mais altos para conhecer novas paisagens dessa vida? Oscilamos entre “podes” e “não podes”, mas me parece que tudo acontece no tempo certo: a nossa luz ilumina revelações e nos dá ideias. E vai desvendando segredos que andavam  escondidos:  sobre nós mesmos e nossos talentos. A coragem nos inspira  e soltamos a voz:”Sejam bem-vindos, queridos fantasmas, saiam do armário!”. É que nossos corações desejam se abrir  para mudanças e transições, e lentamente vamos recuperando  a confiança no caminho da sabedoria, aprendendo a escolher  entre o bem e o mal.
Quanto aos novos planos, vale a pena sermos leais diante de nós mesmos, nos comprometendo com as escolhas que fazemos, mesmo que contenham  desafios, (o que não dá para evitar pois são inerentes à vida), fluindo sentimentos mais equilibrados. Formas renovadas de comunicação, talvez com mais espaço para a intuição, poderão se abrir na busca por nossas  superações. E vamos crer que a esperança, ao reaparecer, nos ensinará, em meio à instabilidade, que é possível  colhermos alegremente o que foi plantado, podarmos as tristezas das perdas, e irmos ao encontro da verdadeira conquista: a paz

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Desapegar

DESAPEGAR





Sabe quando novas informações pedem passagem, atropelando nosso jeito de ser, querendo entrar na nossa roda da vida  gritando “mudança à vista!”? Ao emparelharem com as antigas, podem ocorrer avaliações bem interessantes, dependendo da disponibilidade interna de cada um para lidar com as próprias  verdades.
Refiro-me àquela conversinha íntima sobre desapegar-se daquilo que já  deu o que tinha que dar, o que sabemos não ser nada fácil. Decidirmos o que vai fazer parte de nossas vidas agora, por ser realmente essencial;  excluirmos  o que, sem dó nem piedade,  não  permanecerá;  integrar objetos, atitudes, pensamentos, emoções, lembranças, relacionamentos, a lista é interminável... Ah! Isso  leva um certo tempo. É uma questão de consciência. Exige critérios que passam, inevitavelmente, por algo também muito íntimo que costumamos chamar de gratidão, e que quase sempre  anda de mãos dadas com os perdões.
Como precisamos dessa energia que libera, que deixa ir, para podermos  atravessar a ponte que leva à conquista de novos olhares.  Nessa transição criamos portais, modernizamos alternativas, e manifestamos o triângulo de novos  pensamentos,novas  vontades e novas ações. Tomamos decisões com os devidos riscos assumidos e vistos como impulsos para a evolução. Quem  sabe,  assim nasça um jeito de viver sem grandes raivas, mágoas, medos e culpas paralisantes, para que  talvez possamos  fluir nessa vida mais amorosamente, sem tantas reclamações e dominando melhor a tentação de se fixar lá atrás. Assim, as novas criações poderão  ser feitas com aquilo que se tem, o  que vamos combinar, não é pouca coisa, nunca!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

VÁ COM CALMA!


VÁ COM CALMA!



Como reagir quando sentimos que uma etapa em nossa vida se foi? Quando percebemos nova luz brilhando, sugerindo outra direção?  Vamos com calma, certo? A tranquilidade nas ações libera algumas ansiedades que ainda podem estar tumultuando nosso jardim, atrapalhando a colheita de tantas coisas legais que ali plantamos.
Que tal abrirmos mais um pouco, delicadamente, o coração? Sim,  para sentirmos e escolhermos o caminho da expansão! Nada de retrocessos, até porque sabemos que mesmo aquilo que parece antigo contém um novo olhar.
Talvez seja esse o momento de contato com aquele nosso lado ativo, que  andou meio tímido ultimamente. Muito deverá ser revelado, antes coberto pelas nuvens, pois o enfrentamento de dificuldades costuma levar à descoberta da força da intuição. Quem sabe nos comprometermos mais conscientemente  com riscos, já que segurança é algo muito relativo; abraçarmos alguns desafios antes impensáveis; e assumirmos aparar as arestas de nossas aventuras, trazendo à tona as lições importantes em cada uma delas.
Pois é, o espaço da gente pede equilíbrio de sentimentos, de pensamentos. Os mais puros, de preferência, são os que nos guiarão agora. E, não vamos nos iludir, isso exige esforço e atenção constantes. Mas é com a gratidão que vamos inspirar delicadeza nos voos altos que agora faremos, nos compromissos com aquilo que é novo, e na confiança de que o inesperado trará respostas incríveis.


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Gratidão

                                 GRATIDÃO

Gratidão é aquela alegria que faz a gente sorrir pra tudo e abraçar tarefas com olhares simpáticos, cúmplices. Hoje acordei assim: grata. Fiquei pensando na questão do prazer sem culpa, aquele que não faz cobranças, a manifestação do amor à vida, em qualquer forma que ela se apresente. Jamais poderemos saber exatamente como se deram nossas escolhas e todas as variáveis nelas envolvidas, mas se há prazer no que conseguimos perceber a cada momento, a gratidão deverá se mostrar, e o bem-estar não deixará dúvidas sobre a sua presença em nossos corações, dando a ela o nome e as causas que quisermos; conscientemente ou não, somos gratos e pronto.
Ao contrário, porém, entre culpas e tensões, a mesma gratidão nos oferece apenas um sorriso amarelo, falso e distante do coração, da boca pra fora. Se não nos sentimos merecedores de coisas boas, vamos agradecer o que?
Muitas vezes o que não suportamos é o peso das crenças equivocadas, que parecem dançarinas de baixa categoria ao nosso redor, convidando para o seu baile os que preferem não se aprofundar em reflexões, os que não gostam de mergulhar em si mesmos.  Nem todos pensam assim, mas para mim esse negócio de empurrar com a barriga e reclamar, enquanto devoramos pães e doces, só serve para disfarçar o próprio amargor e atravancar nosso caminho. Podemos aprender a amar aquilo que nos é apresentado pela vida; dar uma olhada mais focada nos nossos próprios pareceres, prestando atenção para não seguirmos propósitos alheios, sejam eles bem intencionados ou não.
Legal mesmo é finalizar de vez com essa mania que o passado tem de querer ser sempre o ator principal em nosso teatro existencial. É bem mais interessante descobrirmos algo novo em cada gesto simples do dia. Se formos por aí, tudo indica que a gratidão vai adorar fazer reparações. 

domingo, 8 de setembro de 2019

Mudar

                                  MUDAR

Não  poderia deixar de registrar aqui a mudança de país feita há poucos dias, sozinha, para encontrar filho e família. Esvaziar um apartamento, dando, vendendo, levando comigo coisas que estavam ali, simplesmente, obedecendo à rotina que já não se questionava mais, não foi brincadeira. E eis que o movimento se fez como um rápido furacão, mas de boa índole, se é que se pode falar assim.  As pessoas certas para cada objeto apareceram; amigos que divulgaram o "bazar" improvisado surgiram na hora certa, e tudo fluiu. Com a limitação da bagagem, a velha roupagem foi lançada para outras bandas, para outros proprietários. A nova pele precisaria nascer, e a decisão de mudança já estava ancorada, no corpo, na alma.
Fase por fase do projeto (incluindo a reta final, quando uma cama e objetos pessoais, com a colaboração da vizinha para a água gelada, o café e algo mais que eu precisasse), a casa esvaziou. Foi o tempo necessário para meu equilíbrio emocional se manifestar. Ainda havia a viagem propriamente dita.
Escrever sobre isso me faz lembrar de uma discussão num grupo de estudos psicanalíticos, há tempos atrás, onde se falava em "superego de exceção", quando agimos com uma nova liberdade, distante das restrições do dia a dia que criamos ao longo de nosso desenvolvimento. Pois é essa a definição mais próxima de como foi ter entrado nos aviões, conversado com gente desconhecida por horas, e ter chegado ao meu destino como se tivesse chamado um táxi para ir a outro bairro.
A mim encanta analisar emoções e jeitos de pensar, refletir sobre experiências. Para mim, significa aprender sobre nós mesmos, daquilo do que somos capazes quando nos permitimos expressar nossa força interior. Pois é, mudar é assim...quando nos damos conta, já mudamos.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019




Visite:  http://www.ruttysteinberg.com

É ali que estão mais coisas que escrevo, sugestões de livros de autores independentes, incluindo os meus SEM HORA MARCADA e ZINGARA, ALMA CIGANA E SINAPSES. E ali está o meu contato para CONVERSAS TERAPÊUTICAS , um projeto de atendimento e aconselhamento psicológico:

"Sabe quando diante de algumas circunstâncias nos sentimos perdidos, confusos e sozinhos? Nesses momentos, além dos amigos, buscamos o profissional da Psicologia. Alguém com conhecimento, formação e experiência em atendimentos, vivência, maturidade, que nos ouça de verdade, a quem possamos confiar nossos dilemas e aquilo que eles nos fazem sentir. 
Para refletir e perceber novos olhares, novas vozes, num encontro livre de compromisso com futuros encontros, agende uma conversa terapêutica, consulta avulsa para apoio psicológico, sem o vínculo da psicoterapia. Ela pode ser presencial, online, via email ou por telefone, em qualquer momento agendado previamente, quando você sentir que há necessidade."


quinta-feira, 4 de julho de 2019

Adote-se!

                                  ADOTE-SE


Janaína colocou sua única mochila ao lado da cama que seria agora sua, no novo emprego, bem distante das suas costumeiras habilidades. Era uma circunstância desafiadora, mas que não deixava escolha, a não ser que preferisse morar com um homem que a tratava feito lixo. Tinha reunido toda a coragem necessária para ir embora. Não seria a primeira nem a última mulher a pegar um ônibus na rodoviária para uma cidade bem longe, onde uma velha amiga a abrigaria. Em troca de serviços domésticos, no lugar da secretária executiva, ali estava nova oportunidade para se transformar em outra pessoa. Ainda não sabia bem o que seria isso, e agora, já sentada na cama de seu novo quartinho, ouviu uma voz: "Adote-se".
Não havia dúvida, ela ouvira a voz. Acostumada com os mistérios da vida, nada mais a surpreendia. Também tinha aprendido a duras penas que não se ignora coisas desse tipo. Ousou olhar para cima, como se houvesse alguém invisível naquele espaço, e perguntou:
-"Como se faz isso?"
- "Primeiro de tudo, sorria, porque você está salva. Lembre-se que tudo nessa vida é provisório. A mudança aconteceu, você está inteira, e pode olhar para o novo de várias maneiras. Escolha a sua. Depois, o pulo do gato: seja sua filha.
- "Oi?"
-  "Dê a você o que daria a uma criança sob sua responsabilidade. Nesse momento, você é a sua filha, e tem necessidades para serem descobertas. Tudo é estranho, certo? Menos o amor que te move. Então, o que é adequado agora para essa menina que vai crescer com a sua ajuda?"
- "Nossa, se eu tivesse adotado uma garotinha tentaria dar a ela um lar, cuidados, respeitaria seus limites, ensinaria como não pisar em lugares perigosos, não economizaria abraços e beijos, mas também limites quando necessários. Trataria de fazê-la de bem com a vida e consigo mesma, enfrentando desafios e crescendo com isso, sempre do lado do bem. E daria a ela valores e significados que fossem direções para realizações em vários níveis. Eu a amaria do jeito que ela fosse..."
- É isso. Adote-se!
Janaína abriu a mochila, tirou dela tudo que encontrou para aplacar o frio, e preparou-se para deitar na nova cama. Vibrava com a certeza da chegada de um novo dia, de novas experiências, e mantendo sim, a visão cor-de-rosa, que na verdade deveria ser verde, a cor da esperança.
E ao adormecer, pareceu ouvir mais uma vez: -"Adote-se!".