Reflexão
sobre Desafios
Os desafios inerentes à própria vida muitas vezes nos surpreendem: aquilo que nos parecia seguro e estável mostra-se vulnerável, ameaçador, perigoso; o inesperado paralisa, a confusão de ideias e crenças avança sem piedade em nossa direção, afastando a clareza, nos deixando escorregar numa montanha russa emocional. O corpo também se ressente, e nos distanciamos da conexão com a voz da alma. Quando nosso diálogo interior é interrompido, medos e inseguranças mobilizam velhos gatilhos, e a vitimização impede respostas e soluções mais adequadas aos nossos dilemas.
Mas, vamos
combinar que precisamos nos acalmar, refletir, tomar decisões. O primeiro passo
é equilibrarmos os aspectos emocional e energético, aplacando a ansiedade, abrindo
caminho para um bom diálogo interior. Portanto, sem ideias perfeccionistas
neste momento, o negócio é encontrar um canto onde se possa apoiar os pés no
chão, encostar a coluna, sentada ou deitada, como for possível. A respiração,
em busca de harmonia, é o início. Vamos nos acalmando inalando e exalando
lentamente, entendendo como estamos nos sentindo, colocando as ideias e
sentimentos em alguma ordem mais coerente. Sentimos nosso coração, suas
batidas, colocando uma das mãos sobre essa força maravilhosa de vida, e a outra
mão um pouco mais abaixo. Vamos nos permitindo imaginar raízes fortes saindo de
nossos pés em direção à terra, intencionando receber nutrição através do
aterramento. Prosseguimos respirando, lentamente, tranquilamente, e criamos agora
uma ponte saindo do topo da cabeça intencionando conexão com a fonte, aquela de
nossa compreensão. Sabendo que a nossa energia está onde está a nossa
consciência, vamos nos concentrando em cada parte de nosso corpo, dos pés até a
cabeça, desacelerando, respirando e sentindo, passeando por ele. E assim, usando
a pausa da ansiedade, começarmos a pensar, a nos questionar, sobre a mudança, que
tudo indica, agora será necessária em algum nível. Se já desaceleramos, respiramos
mais fundo, e sabemos como estamos nos sentindo, papel e caneta à mão. É hora
de perguntarmos àquela parte que nos intui e só ouvimos quando silenciamos a
mente sobre intuições para iniciarmos um processo: o que está realmente
acontecendo, com quem podemos contar, precisamos de ajuda, por onde começamos? São
muitas perguntas e a organização e a calma são fundamentais, muito mais do que
escavarmos motivos nesse momento, porque estacarmos no mundo das ideias é bloquear
as ações necessárias. Mais adiante haverá tempo para investigações sobre
causas. Como nos fortalecemos? Para o medo, informações atualizadas e
confiáveis, grupos de apoio, terapias, aconselhamentos, amigos próximos. Tempo
de soltar a nossa voz que andou adormecida, nos comunicarmos, estarmos presentes
em consciência, com determinação, acreditando na possibilidade de aprendermos
novas maneiras de nos posicionarmos na vida e superarmos as adversidades. Com esperança,
cuidarmos das influências que nos abatem, pois a hora é de coragem e
proatividade. Desafios, com toda a sua dureza, são mestres pelo lado avesso que
nos ensinam sobre nossa força interior e resiliência. É hora do enfrentamento
que a alma feminina conhece bem, e que sabe exatamente quando dizer “Basta!”.
É seguindo em frente que mais adiante poderemos compreender por onde estivemos, as crenças que nos dirigiram, as portas que abrimos e onde nos equivocamos; ou compreender que algumas de nossas aventuras e romances por essa vida foram as soluções mais criativas que pudemos manifestar naqueles contextos. Sem culpas paralisantes, é possível dar sequência a ressignificações. Gosto de pensar que ressignificar é como olharmos para uma estante de livros com suas infinitas possibilidades de organização, ou olharmos para uma paisagem de vários ângulos. As visões e interpretações mudam, e se nem sempre é algo prazeroso, trata-se de um processo libertador, onde dores e traumas recebem novos sentidos, mais perdões, gerando mais fôlego, mais força, transformando velhas crenças sobre impotências. Nesse caminho, feito de absoluta honestidade, internamente, pouco a pouco vamos criando novas alternativas, para mais tarde podermos compartilhar a sabedoria adquirida: ensinarmos sobre o verdadeiro pertencimento, o perdão a si mesmo, e aos outros dentro das possibilidades, o desapego ao que não mais nos serve, a aceitação de falhas aprendendo com elas.Conhecendo nosso novo ritmo e estilo desejado de vida, nos reconciliamos com a própria história, e sim, aí temos condições de ajudarmos a quem vem vindo e necessita dessa força para prosseguir. Honrar as próprias experiências com gratidão é uma linda forma de ressignificação, pela transformação da dor em aprendizado a serviço da vida. Para que a vida volte à vida, é preciso habitar a própria alma. Cito Viktor Frankl, “não é o que você espera da vida, mas o que a vida espera de você”.

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