Livros que publiquei
domingo, 11 de fevereiro de 2024
Reflexões sobre Ninho Vazio
REFLEXÕES SOBRE "NINHO VAZIO"
Diferente de rejeição, estamos falando de progresso. É hora da criação de outro estilo de vida, de aprender sobre a própria companhia e as novas escolhas. A saudade? Bem, talvez a gente deva deixar que nossas boas lembranças iluminem o caminho, porque isso nos faz sorrir, é gostoso reviver bons momentos, e sabermos do que fomos capazes. Mas não deixemos que elas substituam o que temos pela frente aqui e agora, mesmo que sejam desafios, porque eles nos fazem evoluir.
Sobre Medo
SOBRE MEDO
Há um lugar na minha varanda onde me sento pelas manhãs, com sol ou com chuva. Dali contemplo o céu, os desenhos que as nuvens fazem, vejo e escuto passarinhos em plena atividade, admiro os múltiplos tons de verde das árvores e as flores coloridas, e ali atrás, admiro uma montanha. Ao me conectar dessa maneira com a beleza, peço que essa harmonia traga as respostas que meu coração quer para o dia que se inicia e as intuições que o vento leva e traz, entre um ou outro gole do meu café. Faço reflexões, descobertas, planos, às vezes escrevendo, e às vezes apenas pensando, e me permito reconhecer como tudo está interligado.
domingo, 19 de dezembro de 2021
Toti
Toti
Lá pelos meus 6 ou 7 anos de idade, ia sempre com minha mãe e meu irmão à Cascata dos Amores, como fazíamos todos os dias, nas férias em Teresópolis. Passávamos por uma rua que subia, com muito verde e ar puro, e eu não conseguia chegar lá em cima sem fazer minha mãe bater na porta de alguma casa pedindo um copo d’água para mim. Nessa época, meu pai ficava no Rio durante a semana, trabalhando, e mamãe, meu irmão e eu, no apartamento do ex-hotel Higino, o imenso Edifício Teresópolis, um tesouro de lembranças gostosas.
Pois bem, era uma linda manhã de verão em Teresópolis e naquele dia íamos só minha mãe e eu pela tal rua que subia, passando pelos muros verdes das casas, respirando o ar puro, as duas distraídas, quando ouvimos o choramingar de um cãozinho que estava embrenhado nas folhas, um filhotinho desamparado que nos cativou imediatamente. Quase não pensamos ao decidir levá-lo conosco. Foi a alegria da criançada ver aquela bolinha peluda correr pelos corredores do prédio, levando o síndico mal humorado a mais uma crise, além daquela que se manifestava ao ver a pirralhada sentada nos braços das poltronas do hall. Só rindo, ou sorrindo, talvez seja melhor. Enfim, Toti foi o nome que lhe demos, alimentado com paõzinho molhado no leite, porque ninguém ali tinha outra ideia de como alimentar um bebê canino.
A semana passou cheia de alegria, todos ansiosos para meu pai chegar e conhecer Toti, o novo rei da casa. E ele chegou, final de semana, todo feliz para nos contar a surpresa que tinha à nossa espera lá no Rio: um cachorrinho. Parece filme, mas não é, e um dos dois cães ia ter que sair da família. Ao conhecermos o cachorrinho carioca, preferimos o Toti, já íntimo e amado a essa altura do campeonato.
Toti cresceu lindo, e em alguns meses tornou-se um vira-lata elegante e brincalhão. Mas um dia, se excedeu nas brincadeiras e sem querer me arranhou. Foi o suficiente para ser despejado e enviado para o sítio da secretária do escritório de papai. Nunca mais o vi, mas soube que estava feliz, e já tinha até filhotinhos. Trauma para uns, sabedoria para outros.
Ah, pontos-de-vista diferentes! Circunstâncias ditam reações muitas vezes dolorosas para os pequenos que não enxergam riscos nem aceitam perdas. Prefiro, hoje, entender que encontros felizes são presentes que recebemos pela vida, e que depois das trocas, caminhos se diversificam. Não há como ter tudo o que vivenciamos, ao mesmo tempo, no foco da consciência, e para isso existe a saudade. Ela funciona como uma espécie de gatilho: traz para perto de nós memórias e aí verificamos se cabem reativações no momento presente. Toti tornou-se uma dessas deliciosas lembranças que nos lembram sobre o imprevisível, sobre aquilo que torna a vida uma grande aventura. E que me transporta pelo tempo, me faz sorrir.
sábado, 8 de agosto de 2020
Relaxar, topa?
- Às vezes eu simplesmente não consigo relaxar...
- Há momentos em que a gente acha que relaxar é impossível, que é preciso permanecer atento a tudo e a todos, que acalmar a mente pode ser perigoso.
- É mesmo. Não tenho ideia de onde vem tamanha ansiedade. E nem sei onde fica o botão que desliga a cabeça a mil.
- Dizem por aí que ao enxergarmos o bicho que nos assusta, é meio caminho andado. Ansiedade? Quem sabe é uma questão de ousarmos conhecer mais sobre nossos fios desencapados, esses que dão choque na hora que decidimos relaxar?
- Ah, não sei não, muitas coisas têm sido compartilhadas pelos canais modernos de comunicação, incluindo orientações as mais variadas sobre como resolver os mais diversos conflitos e problemas humanos. Dá vontade de ir lá ver nos bastidores dessa turma se já resolveram os próprios problemas usando suas ferramentas.
- Resolver seria ter paz no lugar da angústia? Isso relaxa?
- Angústia tem a ver com relaxar? Será? Bem, se nem tudo está perdido, poderemos tomar providências para reaprender a relaxar. Talvez a gente deva reunir as técnicas oferecidas e processá-las, testá-las, sei lá...
- Ou talvez nos lembrarmos da magia que é respirar em momentos críticos; ou tentar sair das malhas dos rancores, dos medos, das culpas. Mas levaremos séculos para isso, e nem sabemos se vai funcionar.
- E além do mais, como faríamos isso?
- Ora, usando a capacidade humana de refletir sobre situações que deverão passar pelo teste da realidade.
- Realidade? Por favor, não traga essa palavra, porque vai complicar mais ainda. A minha realidade é só minha, a sua é só sua.
- Faz sentido. Quis dizer que nossas expectativas quase sempre se originam em carências que de tanto serem carentes se tornam exigências, intolerância a frustrações, e para coroar a experiência, se embolam em ansiedade.
- Uau! Agora você arrasou com "embolam em ansiedade". Fez algum curso, ou está atuando como algum tipo de cuidador, treinador, sei lá, uma dessas profissões atuais?
- Nada disso. Falo de deixar ir, sem ficar gastando à toa energias preciosas, ruminando. Falo também de compreender melhor e até admirar eventos, limpar o emocional daquilo que não faz parte do momento de relaxar. Afinal, relaxar pode ser soltar as amarras do pensamento e das emoções, sem medo de não conseguir voltar a consciência a um lugar seguro.
- Consciência tem um lugar seguro? Você hoje está se superando!
- Ou talvez para relaxar seja preciso sermos sinceros. Admitirmos sentimentos que não são bem vindos, sem nos entregarmos a eles.
- Desistirmos de sermos perfeitos, sem nunca poder errar.
- Você também está ficando esperto, tornou-se terapeuta depois daquele curso no final de semana passado?
- Isso. Atalhos têm seu valor, seu momento. Estou sendo absolutamente honesto comigo mesmo, me entregando à própria verdade sem brigar com ela.
- Ok, nesse caso só nos resta...
- Relaxar, topa?
- Relaxar, claro!
domingo, 3 de maio de 2020
Pare de dizer que não vai conseguir...
Pare de dizer que não vai conseguir
Foi assim que um caso de amor começou: no balcão de um bar, numa avenida no centro da cidade, no intervalo do trabalho para um cafezinho.
Um homem pediu àquela mulher que lhe passasse o açucareiro.
Ela fez isso de má vontade, com uma careta de desaprovação, sabe-se lá porque, afinal não custava nada.
Ele percebeu, sorriu, mas não disse nada. Apenas, olhando fixamente para seus olhos, colocou o açúcar branco no cafezinho preto, muito. E não economizou na expressão de prazer ao dar o primeiro gole. Desde a primeira olhada, ele reconheceu o que desejava. Tinha aprendido a parar de dizer que não ia conseguir, e testava suas novas experiências.
Ela, constrangida com seu olhar, tentou iniciar um discurso sobre saúde e alimentação, mas gaguejou. Tinha sido contagiada por alguma coisa vinda do ar que ele respirava. O silêncio das palavras venceu Não conseguia resistir, parecia estar sendo fisgada, sendo chamada. Sensação esquisita, sem forças para sair dali. Na verdade, nem queria. Quis muito beijá-lo, ali mesmo, e ousou dizer num suspiro:
- "Não vou conseguir..."
- "Pare de dizer que não vai conseguir...", ele respondeu.
Foram essas as palavras ouvidas por todos ali, nos seus intervalos de trabalho, desejando que também em suas vidas surgissem encontros assim, inusitados.
Ela então, diante daquela platéia ansiosa, ousou dar um gole de café na xícara dele, tocando suas mãos.
A mágica se deu. Foi o sinal. Olhos nos olhos, agora estavam bem próximos...
- E aí? O que aconteceu?
- Desculpe, mas nesse ponto a minha memória está falhando. Não vou conseguir me lembrar, foi há tanto tempo...
- Pare de dizer que não vai conseguir...
- Já vi esse filme, meu amor. Estou brincando, não percebeu meus olhos risonhos? Querido, posso dar um gole no seu café?
quinta-feira, 2 de abril de 2020
Psicocibernética
Enfim, tudo isso para recomendar uma leitura? Também. Mas para lembrar que algo antigo não significa sem valor. Queria compartilhar com os leitores que gostam de reflexões sobre sentimentos esse livro, e estimular a redescoberta de muitos autores interessantes que andam esquecidos.















